Um pequeno estudo com 15 adultos saudáveis não encontrou aumento geral estatisticamente significativo em um marcador cerebral associado às sinapses uma semana depois de uma única dose de psilocibina. Porém, os participantes que tomaram a droga em uma sala tranquila, com música, relataram experiências do tipo místico mais intensas do que aqueles que a tomaram dentro de um aparelho de ressonância magnética, e seus exames mostraram uma mudança maior no marcador.
A pesquisa, publicada na Translational Psychiatry, mediu a SV2A, uma proteína encontrada nas sinapses, por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET). As sinapses permitem a comunicação entre as células nervosas, e os pesquisadores estudam as mudanças nelas como uma das formas possíveis de compreender a capacidade de adaptação do cérebro. A SV2A é uma medida indireta da densidade sináptica, e não uma contagem direta de conexões.
Os cinco primeiros participantes tomaram psilocibina deitados dentro de um aparelho de ressonância magnética e realizaram tarefas de imagem. Os dez restantes tomaram a substância em uma sala dedicada, enquanto ouviam uma playlist de músicas selecionadas. Dois facilitadores ofereceram apoio psicológico em ambos os ambientes. Foram feitos exames de PET antes da dose e novamente uma semana depois, com medições concentradas no córtex frontal e no hipocampo.
Considerando todos os participantes, as mudanças médias na SV2A foram pequenas, em torno de 2% a 3%, e não foram estatisticamente significativas. O estudo foi encerrado antes do previsto, após uma análise interina indicar que era improvável atingir a meta planejada. Portanto, os pesquisadores não demonstraram que a psilocibina aumentou, de modo geral, o marcador sináptico medido.
Em comparações exploratórias, o grupo que ficou na sala relatou experiências do tipo místico mais intensas e efeitos positivos mais duradouros após três meses. Os grupos não diferiram nos efeitos negativos duradouros relatados. A SV2A aumentou, em média, cerca de 5% a 6% no córtex frontal e no hipocampo entre os participantes que ficaram na sala, enquanto o grupo do aparelho não apresentou aumento. A diferença entre os ambientes foi estatisticamente significativa no córtex frontal, mas não no hipocampo; o aumento dentro do grupo da sala, por si só, não foi estatisticamente significativo.
Experiências do tipo místico mais intensas também foram associadas a aumentos maiores na SV2A, embora essa associação não tenha sido estatisticamente significativa. Os autores descrevem as diferenças entre os ambientes como preliminares e geradoras de hipóteses, e não como conclusivas. Eles sugerem que um ambiente acolhedor pode favorecer experiências positivas e uma sensação de segurança, enquanto o ruído e a sensação de confinamento do aparelho podem ser distrativos ou estressantes.
O tamanho reduzido da amostra limita as conclusões possíveis. Os participantes não foram designados aleatoriamente: as cinco pessoas no aparelho foram as primeiras a se inscrever. Não houve grupo placebo, e os ambientes diferiam em vários aspectos, incluindo música, confinamento e tarefas de imagem. O estudo envolveu adultos saudáveis, e não pessoas que receberam psilocibina como tratamento, e seus resultados podem não se aplicar ao uso clínico.
Fontes: PsyPost.