O Observatório Vera C. Rubin, localizado no norte do Chile, anunciou a descoberta de um novo objeto celeste significativo designado como 2026 ED138. Descrito pela equipe do observatório como grande e brilhante, este mundo gelado reside além da órbita de Plutão e representa o primeiro candidato a planeta anão identificado pela instalação desde que iniciou sua ambiciosa pesquisa de dez anos do céu do hemisfério sul em junho. O massivo telescópio já detectou mais de 11.000 novos asteroides dentro do nosso sistema solar antes desta descoberta.
Cálculos iniciais estimam o diâmetro de 2026 ED138 entre 600 e 1.500 quilômetros. Para se qualificar oficialmente como um planeta anão, um objeto deve possuir massa suficiente para que sua própria gravidade o puxe para uma forma arredondada, distinguindo-o de asteroides irregulares. Confirmar essa característica é desafiador dada a distância extrema do objeto; os dados atuais o colocam 46 vezes mais longe do Sol do que a Terra. O Centro de Planetas Menores da União Astronômica Internacional (IAU) confirmou essas observações e anunciou a descoberta na terça-feira.
O novo objeto segue uma órbita que leva 281 anos para completar uma única revolução ao redor do Sol, com seu plano orbital inclinado em 25 graus em relação à eclíptica onde residem a Terra e outros planetas. Esta região é lar de objetos transnetunianos, que incluem quatro dos cinco planetas anões oficialmente reconhecidos: Plutão, Éris, Haumea e Makemake. O quinto, Ceres, está localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Embora dezenas de outros candidatos, como Sedna, Gonggong, Orcus e Quaoar, aguardem classificação oficial pela IAU, o 2026 ED138 pode provar ser um dos maiores entre eles uma vez que suas dimensões sejam refinadas por meio de observações infravermelhas.
A descoberta foi feita em 13 de outubro por Matthew Holman, um cientista que opera a partir do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian nos Estados Unidos. Enquanto processava dados de teste do início de 2026, um código automatizado projetado para detectar objetos astronômicos em movimento sinalizou a anomalia. Holman observou que sua reação inicial foi uma mistura de incredulidade e entusiasmo, pois objetos dessa magnitude são raros, levando-o a verificar que nem ele nem o software haviam cometido um erro.
Análises subsequentes por Mario Jurić, líder de pesquisa do sistema solar no Observatório Rubin, localizaram 30 observações adicionais do objeto abrangendo de 4 de março a 11 de julho de 2026. Além disso, imagens de arquivo do Observatório Interamericano Cerro Tololo na região de Coquimbo, no Chile, permitiram aos pesquisadores reconstruir a trajetória do objeto até 2016. A equipe explica que o 2026 ED138 anteriormente passou despercebido porque atravessa uma seção do céu lotada de milhões de estrelas, efetivamente escondendo-o contra o fundo brilhante da Via Láctea para a maioria dos telescópios.
As capacidades avançadas do Observatório Rubin tanto na detecção em tempo real quanto na identificação retrospectiva estão transformando a velocidade e a precisão com que os astrônomos podem determinar órbitas e compreender o sistema solar distante. Se estudos contínuos confirmarem que o 2026 ED138 possui uma forma arredondada, ele pode ser reconhecido como um planeta anão pela IAU. Isso seguiria o precedente estabelecido há vinte anos em 24 de agosto de 2006, quando a organização reclassificou Plutão com base em sua incapacidade de dominar gravitacionalmente seu entorno orbital.
Fontes: El País Ciencia.