As pessoas que sentem que seu grupo é excluído da sociedade têm maior probabilidade de apoiar a violência política, segundo uma pesquisa com 5.501 adultos no Reino Unido, nos Países Baixos, na Dinamarca e na Noruega. O estudo, publicado na revista Psychology of Violence, concluiu que duas formas de alienação política influenciavam essa relação em sentidos opostos.
A pesquisa, liderada por Tahir Abbas, da Aston University, distinguiu entre alienação institucional — desconfiança nas instituições democráticas — e alienação quanto à eficácia, ou seja, a sensação de impotência para influenciar os resultados políticos. Nenhuma das formas estava associada de maneira independente ao apoio à violência quando se levava em conta a percepção de exclusão. Em vez disso, a alienação afetava a intensidade da relação entre exclusão e apoio à violência.
Entre as pessoas que se sentiam muito impotentes, a percepção de exclusão estava mais fortemente associada ao apoio à violência. Entre aquelas que desconfiavam mais das instituições políticas, a associação era mais fraca, embora continuasse presente. O padrão foi observado nos quatro países, mas o efeito moderador da alienação ficou mais evidente nos Países Baixos.
A pesquisa on-line foi realizada entre 2021 e 2023. A exclusão foi medida por meio de perguntas sobre experiências como sentir-se humilhado por causa de sua origem ou acreditar que sua religião é tratada de forma injusta. O apoio à violência foi avaliado com uma única afirmação: “Às vezes, as pessoas precisam recorrer à violência para alcançar seus objetivos.” Cerca de 8,5% dos participantes concordaram plenamente.
Os pesquisadores também identificaram dois grupos amplos. Cerca de 59% relataram níveis relativamente baixos de exclusão e alienação; 0,5% desse grupo apoiava fortemente a violência. Os outros 41% relataram níveis mais altos de exclusão e alienação, e cerca de 20% deles apoiavam fortemente a violência. A maioria das pessoas desse grupo não o fazia.
Os resultados mostram uma associação, não uma relação de causa e efeito. A pesquisa mediu atitudes, e não comportamentos violentos, e seus autores observam que a maioria das pessoas que manifesta apoio à violência não age de acordo com isso. O estudo também se baseou em respostas autorrelatadas, e seus resultados talvez não se apliquem além das democracias consolidadas.
Abbas afirmou que os resultados sugerem que iniciativas para ajudar as pessoas a sentir que podem influenciar os resultados talvez enfraqueçam a relação entre as queixas e o apoio à violência, mas essa possibilidade precisa ser testada diretamente. Ele também alertou que medidas de segurança que estigmatizem comunidades inteiras podem intensificar os sentimentos de exclusão.
Fontes: PsyPost.